
Você me liga, e eu escuto sua voz, me parece um anjo sussurrando. Paro e percebo o quão aquele doce som deixa meu coração acelerado, querendo morrer ao lado daquela voz, tendo assim, ela pra sempre. E logo vem o seu silêncio. Minha voz se cala, esperando que a sua recomece a surgir, para que elas se encontrem novamente. E você solta aquela risada fraca de quem sente vergonha em dizer que também é bom escutar minha voz. Me ligou pra dizer que não está bem, que sente falta da minha voz, e do meu toque. E então nesse momento eu me calei, e o meu silêncio fez você dizer tudo que sempre guardou, e ao terminar disse: ‘E então? O que você acha?’ E eu permaneci calada, e para minha surpresa, você soltou o que eu mais esperei durante todos os últimos meses: ‘eu te amo’. Nesse momento meu coração se apertou me lembrei de todos os momentos em que eu estava nesta mesma cadeira, neste quarto, esperando horas por você, e você nunca chegou. E ao seu falar, comecei a me enjoar, aquela doce voz, talvez já tivesse se tornado amarga, e eu já não queria mais ouvi-la. Desliguei sem pensar, e fiquei a olhar por horas o celular, sem saber qual seria a minha próxima reação sobre tudo isso. Passaram-se dois segundos e você retornou a ligar, e eu não te atendi, e nem as outras 43 vezes que você me ligou durante toda a noite. E entre cada ligação você me mandava uma mensagem me pedindo perdão pelo que tinha causado, dizendo que me amava, e que nunca mais iria cometer os erros que cometeu. Eu inconsolavelmente abalada, comecei a chorar, descontroladamente. Lembrei-me de tudo que agente passou, porém, ainda hoje depois de meses em que eu lutei para te apagar da minha memoria, fico tremula quando falam de ti. E quando teima em voltar para o meu pensamento, só me vem à época em que eu prometi que me amaria um pouco mais, e deixaria você de lado. Me lembro bem, naquele dia eu fiquei horas esperando a sua ligação, e você não se importou nem em mandar um aviso de que havia cansado de mim. Depois de passar noites em claro pensando no que iria fazer qual decisão tomar, cheguei a tal conclusão: Sofra eu, o que tiver que sofrer, mas sem você!
- Caroline Godoy







